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Cultura

15h01min - 18 de Maio de 2009 Atualizado em 17h59min - 29 de Junho de 2013

Museu da Loucura comemora o Dia da Luta Antimanicomial

BARBACENA (18/06/09) - O Museu da Loucura, fundado em agosto de 1996 em Barbacena, na região do Campo das Vertentes, inaugurou na manhã desta segunda-feira (18), data em que é comemorado o Dia da Luta Antimanicomial, exposição sobre a história desse movimento no Estado. Único do gênero no país, o museu já está na agenda turística da cidade por resgatar a história da psiquiatria e da luta antimanicomial. O local recebe cerca de 700 visitantes por mês, entre estudantes de psicologia, enfermagem, alunos do Ensino Médio e curiosos de todo o Brasil, informa a coordenadora do museu, Lucimar Pereira da Silva.

Na abertura da exposição, apresentou-se o coral dos usuários do Centro Social do Hospital Psiquiátrico de Barbacena (HCPB), da Rede Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). O Museu da Loucura fica no torreão do hospital que foi fundado em 1903, no prédio do antigo Sanatório de Tuberculose na Fazenda da Caveira, em uma área que pertenceu ao traidor da Inconfidência Mineira, Joaquim Silvério dos Reis.

Participaram da solenidade a diretoria do HCPB, representantes do Diretório do Distrito Municipal de Saúde Pública, da Coordenação de Saúde Mental, dentre outros.

Segundo Lucimar Pereira, o objetivo da exposição é sensibilizar a sociedade e estimular um novo olhar sobre o portador de transtorno mental, “percebendo erros e equívocos cometidos em nome da ciência e entendendo que a doença mental não requer necessariamente o isolamento total do doente e sua exclusão da sociedade. Existem outras formas de tratar o portador de transtorno psíquico”.

Passeio aos porões da loucura

Na visita ao museu, é possível conhecer sete salas onde estão dispostos relatos históricos, acervo, documentos e fotografias que revelam métodos antigos de contenção dos pacientes, como o eletrochoque e as celas. Um dos ambientes que mais chama a atenção e provoca sensações distintas nas pessoas é a sala de cirurgia, onde era feita a lobotomia. No local, estão expostos radiografias do cérebro e equipamentos cirúrgicos, além de efeito sonoro que imita batimentos cardíacos. O museu mantém ainda a mostra permanente da reportagem do jornalista Hiram Firmino, de 1979, “Nos porões da Loucura”, publicada pelo Estado de Minas, que reforçou a luta antimanicomial em Minas Gerais.

Na recepção do museu, os visitantes podem observar também uma amostra da produção dos pacientes psiquiátricos durante as oficinas terapêuticas de bordados, tapetes, cestarias em jornal, cartões, dentre outros. Os objetos podem ser adquiridos e a renda é revertida para a compra de materiais para as atividades e manutenção do museu.

O Museu da Loucura funciona, diariamente, das 8h às 12h e das 13h às 18h, com entrada gratuita. As visitas orientadas devem ser agendadas pelo telefone (32) 3339-1611.

Histórico

Em novembro de 1979, aconteceu em Belo Horizonte o 3º Congresso Mineiro de Psiquiatria, com o objetivo de deflagrar um processo político de mudanças na área da psiquiatria em Minas. Foi montada uma exposição de fotos do então Hospital-Colônia de Barbacena, audiovisuais sobre assistência psiquiátrica e um banco de dados referente à psiquiatria em todo o Estado, com o registro, inclusive, da primeira visita do psiquiatra italiano Franco Basaglia ao Hospital-Colônia, em julho de 1979.

A partir dessa mostra, surge a idéia da criação de um museu da psiquiatria. A proposta, no entanto, só ganhou força em fevereiro de 1987, com uma nova exposição, dessa vez no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Na época, também foram apresentados fotos, documentos, reportagens, objetos e instrumentos sobre o antigo Hospital-Colônia. A evolução dessa idéia se deu com a definição do objetivo do resgate da história da assistência psiquiátrica pública em Minas Gerais, além de servir como centro de documentação e pesquisa na área da psiquiatria.

Em 1996, o projeto do Museu da Loucura foi retomado. Naquele ano, a Fhemig, por meio do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), firmou convênio com a Fundação Municipal de Cultura para concretizar a instalação do museu dentro do Projeto Memória-Viva, com o objetivo de resgatar a história de Barbacena, mantendo em seus locais originais o núcleo histórico. O hospital fica na Praça Presidente Eurico Gaspar, 374 – Bairro Grogotó.

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