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16h42min - 02 de Junho de 2009 Atualizado em 02h22min - 27 de Junho de 2013

Programa transmitido ao vivo reúne parceiros da Meta 2010

A vida voltou ao rio das Velhas. Esta foi a opinião unânime dos participantes do debate “Um Novo Velhas para o Velho Chico”, transmitido ao vivo, nesta terça-feira (3), pela internet (www.teia.mg.gov.br), Rede Minas e Rádio Inconfidência. O debate também pôde ser acompanhado pelas estações de transmissão do Canal Minas Saúde, em 204 municípios da bacia do rio São Francisco.

BELO HORIZONTE (02/06/09) - A vida voltou ao rio das Velhas. Esta foi a opinião unânime dos participantes do debate “Um Novo Velhas para o Velho Chico”, transmitido ao vivo, nesta terça-feira (2), pela internet (www.teia.mg.gov.br), Rede Minas e Rádio Inconfidência. O debate também pôde ser acompanhado pelas estações de transmissão do Canal Minas Saúde, em 204 municípios da bacia do rio São Francisco.

O programa integra as ações do Governo de Minas nas comemorações da Semana do Meio Ambiente e trouxe para discussão a percepção obtida pela Expedição pelo Velhas 2009, organizada pelo Projeto Manuelzão. Do dia 9 a 29 de maio, três caiaqueiros do Projeto Manuelzão – Ronald de Carvalho Guerra, Rafael Guimarães Bernardes e Erick Wagner Sangiorgi - percorreram 804 quilômetros desde a nascente, no Parque Municipal das Andorinhas, em Ouro Preto, até a foz em Barra do Guaicuí, distrito de Várzea da Palma.

Dividido em três blocos, com 20 minutos cada, o debate abordou inicialmente a qualidade das águas do rio das Velhas. Foi lembrado que o Mapa da Qualidade das Águas, lançado anualmente em março pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), apontou que o Índice da Qualidade das Águas (IQA) que mensura a presença de material orgânico, teve uma melhoria. A boa notícia foi atestada durante a expedição e surpreendeu positivamente técnicos e ambientalistas.

“Estávamos acostumados a ver a deterioração gradual das águas do Velhas, ao longo dos anos. A surpresa é positiva e hoje observamos que o tratamento dos esgotos da Região Metropolitana de Belo Horizonte está ocorrendo nos níveis desejados”, pontuou o pesquisador do Departamento de Engenharia Sanitária da UFMG, Carlos Von Sperling.

A rede de monitoramento, em atuação há oito anos e responsável pelos dados que geram o Mapa da Qualidade das Águas, permite que os órgãos ambientais avaliem e implantem a política de gestão dos recursos hídricos de forma eficaz. “Os dados de monitoramento permitem a definição rápida de ações corretivas e preventivas”, assinalou a diretora de monitoramento e fiscalização do Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema) Marília Melo.

Para o biólogo do NuVelhas, laboratório do Projeto Manuelzão, Carlos Bernardo Mascarenhas Alves, a diminuição de mortandades de peixes, que eram comum no início do período chuvoso, demonstra o êxito das ações de recuperação da qualidade das águas. Algumas espécies, como o dourado e matrinxã que precisam de águas limpas, já estão sendo reencontradas próximas a Belo Horizonte.

Tratamento de esgotos

O investimento do Governo de Minas na implantação de sistema de coleta e tratamento de esgotos foi o tema do segundo bloco. Para o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Thomaz da Matta Machado a Meta 2010 é irreversível.

Com o tratamento dos esgotos foi superada em grande parte a maior fonte de degradação das águas do Velhas na RMBH. Apenas Sabará e Sete Lagoas ainda despejam esgoto in natura na bacia. O desafio agora é combater a poluição difusa, aquela provocada pelas chuvas que carregam sedimentos e produtos químicos para o curso d’água, provenientes das atividades agropecuárias e industriais na bacia.

O superintendente técnico da Copasa e coordenador da Meta 2010, Ronaldo Matias, lembrou que o Projeto Estruturador Meta 2010 conta ainda com o trabalho de caça-esgoto, um esforço para corrigir o lançamento de esgoto diretamente no rio e conduzi-lo para a Estação de Tratamento de Esgoto do Arrudas. No início, a ETE Arrudas recebia e tratava 300 litros por segundo, hoje recebe 1000l/s. Com o programa caça-esgoto, a ETE Arrudas deverá receber e tratar cerca de 1700l/s. “Por esta razão, a Copasa tem planos para ampliar a ETE Arrudas”, informou Matias. As obras para a implantação do tratamento secundário na ETE Onça foram antecipadas e deverão ser concluídas no final de 2009, ampliando a capacidade de despoluição da estação.

Participação da sociedade

“Um governo pode muito, mas não pode tudo”. Com esta fala o secretário de estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, José Carlos Carvalho, pontuou a discussão no terceiro bloco sobre a apropriação pela sociedade do compromisso de manter as águas limpas e adoção da revitalização como um processo dinâmico e contínuo. A parceria entre a sociedade civil, por meio do Projeto Manuelzão, e Governo de Minas, por meio do Sistema de Meio Ambiente (Sisema) e da Copasa, principalmente, foi uma das razões do sucesso já alcançado pela Meta 2010.

O sucesso do esforço foi atestado pelo coordenador Projeto Manuelzão, Marcus Vinícius Polignano. “A Meta já é um sucesso no Médio e Baixo rio das Velhas”, afirmou. O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, Rogério Sepúlveda, reforça o argumento. “Desta vez, fomos muito mais bem recebidos do que na primeira expedição realizada em 2003. O povo está vendo que o rio está melhor”, destacou. Sepúlveda também participou da expedição.

O colaborador do Projeto Manuelzão e idealizador da Meta 2010, Apolo Heringer Lisboa, destacou que saúde é uma questão de qualidade de vida e quanto mais investimentos em melhoria da qualidade de vida, mais saúde para a população. Ele lamentou a ausência da iniciativa privada nos esforços de despoluição do rio das velhas. “Eles ganharam muito dinheiro com o rio, agora é a vez de investir no meio ambiente e na saúde da população”, afirmou.

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