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Cultura

17h44min - 04 de Novembro de 2009 Atualizado em 15h37min - 01 de Julho de 2013

Cemitério do Bonfim, em BH, é inventariado pelo Iepha

O Cemitério do Nosso Senhor do Bonfim, em Belo Horizonte, reúne centenas de obras que contam a religiosidade e a vida política e social da capital mineira. Preservar toda essa riqueza cultural é o objetivo de um trabalho que, há quase dois anos, vem sendo desenvolvido pelo Iepha/MG.

BELO HORIZONTE (04/11/2009) – Um local silencioso, cercado de paz e de arte. O Cemitério do Nosso Senhor do Bonfim, em Belo Horizonte, reúne centenas de obras que contam muito sobre a religiosidade e a vida política e social da capital mineira. Preservar toda essa riqueza cultural é o objetivo de um trabalho que, há quase dois anos, vem sendo desenvolvido por uma equipe multiprofissional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG). A identificação do acervo faz parte do trabalho de inventário de todo o entorno da sede do necrotério, que é tombada pelo Estado desde 1977. Serão documentadas 18 das 54 quadras do cemitério.

O inventário dos túmulos é uma importante forma de registro uma vez que grande parte deles possui obras de arte aplicada ou representa algum tipo de memória histórica da capital mineira. De acordo com o historiador do Iepha, Luis Gustavo Molinari, o inventário torna inesgotáveis as informações que poderiam se perder com o tempo. “Esses túmulos são particulares e, apesar de pouco provável, os proprietários podem modificá-los ou retirá-los, quando e como quiserem. Além disso, há sempre a possibilidade de deterioração das peças pelo tempo, por ações de vandalismo ou roubo. O inventário torna-se forma de acesso perene para pesquisa e também diretriz para intervenções futuras”, explica.

O trabalho começou em março do ano passado com um levantamento que incluiu registro fotográfico e descritivo, além do registro de medidas e localização dos túmulos. Paralelamente, os técnicos levantaram informações históricas sobre o cemitério, os túmulos e os principais artistas e marmorarias, bem como a contextualização com a história de Belo Horizonte. O levantamento resultou em aproximadamente 700 fichas de inventário que atualmente estão em fase de revisão no Iepha. O próximo passo, previsto para meados de 2010, será a digitalização de todas estas informações e sua organização em um grande banco de dados, que estará disponível para a consulta pública no site do órgão.

História em monumentos

A história do Bonfim, primeiro e mais tradicional cemitério de Belo Horizonte, se confunde com a da cidade. Sua inauguração precede a da capital por alguns meses, no ano de 1897. Projetado e construído sob supervisão técnica da Comissão Construtora da Nova Capital, com plantas de Hermano Zickler, José de Magalhães e Edgard Nascentes Coelho, o cemitério tem traçado arquitetônico bastante semelhante ao da cidade.

O estilo monumental dos túmulos, característica em Belo Horizonte exclusiva do Bonfim, demandou trabalhos complexos encomendados no Rio, São Paulo e dezenas de artistas e ateliês locais, como os irmãos Natali, os Lunardi e a Marmoraria São José, todos paralelamente envolvidos na construção de prédios públicos e residências ilustres na recém-inaugurada capital.

Os monumentos refletem claramente duas fases marcantes na história do Bonfim. A primeira, da inauguração até as décadas de 30 e 40, traz túmulos e elementos artísticos predominantemente em mármore. A maior parte das obras posteriores a esse período são peças de bronze ou granito preto. A ocupação do cemitério em quadras progressivas também demonstra a evolução de estilos ao longo das décadas. Ao redor do necrotério estão os primeiros túmulos e, alargando-se o perímetro, caminha-se em direção a obras posteriores, portanto, marcadas por características diferenciadas.

Outra forma de diferenciação de estilos é a ocupação “temática” de determinadas quadras do cemitério. Existem quadras com túmulos só de crianças, outras predominantemente ocupadas por personalidades da política mineira. No Bonfim estão enterrados, dentre outros, os ex-governadores mineiros Silviano Brandão, Benedito Valadares, Raul Soares e Olegário Maciel, o ex-senador Bernardo Monteiro e o ex-prefeito Cristiano Machado. O beato Padre Eustáquio, personagem importante da história de Minas, foi sepultado no Cemitério do Bonfim e seus restos mortais posteriormente transferidos para a igreja dedicada ao religioso no bairro que leva o nome do pároco, mas a sepultura original continua sendo bastante visitada pelos fieis.

Túmulo de Raul Soares encanta

O túmulo de Raul Soares, um dos mausoléus mais suntuosos do Cemitério do Bonfim, atrai o olhar dos visitantes. O altar em bronze e granito foi esculpido pelo italiano Ettore Ximenes, artista com forte inclinação para a temática mitológica e autor de inúmeras obras na Itália, Estados Unidos e Argentina. No Brasil, um de seus trabalhos de maior destaque é o famoso Monumento à Independência, em São Paulo; trabalho que assina juntamente com o arquiteto Manfredo Manfredi.

Rico em detalhes e de linhas severas, o altar sobre o túmulo de Raul Soares ficou pronto em junho de 1926, dois anos após sua morte. Ao centro, ergue-se majestosa e imponente a figura da Pátria, empunhando os símbolos do Direito e da Vitória. À sua esquerda está a Força, caracterizada pela espada que defende; enquanto à direita encontra-se a representação da Eloquência, figura com mão espalmada em postura discursiva, como a “boca que doutrina”.

Em plano médio, debruçadas sobre os últimos degraus do altar, encontram-se duas outras figuras, a História, reflexiva e compenetrada sobre um livro, e o Amor à Pátria, representado por um jovem que beija comovido o manto que se arrasta além do colo central. Por fim, ao chão, ladeando o busto de Raul Soares, encontram-se os anjos que, com suas lamparinas, estão encarregados de iluminar seu caminho além-vida.

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