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08h00min - 28 de Setembro de 2013 Atualizado em 13h22min - 03 de Outubro de 2013

Dia do Barroco resgata a memória do patrimônio histórico de Minas Gerais

Data foi regulamentada pelo governador Anastasia; 2014 será marcado pelo bicentenário de Aleijadinho e autoridades vão apoiar roteiros turísticos-culturais

Carlos Alberto / Imprensa MG
Datada do início do século XVIII, Matriz de Nossa Senhora do Pilar é um ícone do Barroco mineiro
Datada do início do século XVIII, Matriz de Nossa Senhora do Pilar é um ícone do Barroco mineiro

A partir deste ano, a cada 18 de novembro, Minas vai reverenciar sua maior expressão artística-cultural dos séculos XVIII e XIX: o Barroco. Decreto do governador Antonio Anastasia regulamenta a proposta da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) que institui a data comemorativa e ainda declara 2014 como o Ano de Comemoração do Bicentenário de Aleijadinho. A intenção é preservar a memória e a riqueza do patrimônio cultural do Estado e, também, assegurar o acesso a elas às futuras gerações.

O decreto prevê a realização de debates, palestras, seminários, oficinas, premiações e concursos nas áreas da literatura, música, educação e arquitetura com o objetivo de difundir o Barroco Mineiro. Roteiros turístico-culturais também vão receber apoio do Governo de Minas, sobretudo em 2014, ano em que o Brasil vai sediar a Copa do Mundo e receber milhares de visitantes.

“A iniciativa da criação da data vai ao encontro de nossas ações e objetivos para o reconhecimento e valorização das expressões do Barroco Mineiro, expressões essas que enriquecem a oferta turística do Estado, fortalecem o turismo cultural e atraem visitantes”, enfatiza o secretário de Estado de Turismo, Agostinho Patrus.

O secretário revela que, dos turistas que vistam Minas por motivos de lazer, cerca de 40% têm o turismo cultural como principal atrativo. “Portanto, o Barroco Mineiro é um importante produto de Minas e tem potencial para ter mais destaque. É importante que os turistas visitem mais o Estado e conheçam mais as belezas do Barroco, que extrapolam o território mineiro”, destaca Agostinho Patrus, para quem as obras são “exuberantes e universais”.

Segundo o professor de História da Arte da Universidade Federal de Minas (UFMG), Magno Mello, a percepção do secretário está correta. “Nosso Barroco deve ser visto em sua totalidade, com a ideia de unidade entre a pintura, a escultura e a arquitetura, que agrega espetacularidade ao olhar do espectador que adentra a igreja e cria um cenário cinematográfico extraordinário”, comenta o historiador.

Para o especialista, a data é um conceito simbólico positivo que vai valorizar a cultura mineira colonial, o que também inclui o Rococó – e seus grandes expoentes, como Manuel da Costa Athaíde, ou Mestre Ataíde, que trabalhou ao lado de Aleijadinho. Magno Mello ainda enaltece o caráter autêntico e a projeção internacional do Barroco Mineiro. “As principais características da nossa arquitetura formaram, ao longo dos séculos, os melhores exemplares do Barroco, com atuação internacional em termos de linguagem. Não é uma cópia italiana, portuguesa ou do litoral. É uma linguagem genuinamente mineira”, frisa o historiador.

Reverência a Aleijadinho

O ano de 2014 vai ser marcado por uma série de comemorações em homenagem ao bicentenário de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, considerado o maior expoente da cultura brasileira durante o período colonial. “O trabalho de Aleijadinho, considerado um mito, uma lenda, comparado à Michelangelo, despertou ensaios, poesias e textos”, pontua Magno Mello.

São atribuídas ao artista mineiro obras de grande relevância histórica, seja como entalhador, escultor ou arquiteto. Os retábulos das Igrejas de São Francisco de Assis, em Ouro Preto e São João del-Rei, entalhados em madeira, e o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, com os Doze Profetas esculpidos em pedra-sabão, em Congonhas, são apontadas como algumas das suas principais obras.

Para preservar a memória e a genealidade de Antônio Francisco Lisboa, a secretária de Estado de Cultura, Eliane Parreiras, articulou neste ano a restauração da Igreja Nossa Senhora da Conceição e do Museu de Aleijadinho, ambos em Ouro Preto. A secretária colocou à disposição a expertise da Fundação de Artes de Ouro Preto (Faop), vinculada à sua pasta.

A Faop é um dos maiores celeiros de profissionais ligados à conservação, restauração e preservação de bens móveis e imóveis do país, sobretudo do Barroco, com ênfase em três especialidades: escultura policromada, pintura de cavalete e papel. “Preservamos com consciência, qualidade e expertise o patrimônio de Minas Gerais”, frisa a presidente da Faop, Ana Pacheco.

Proteção do patrimônio

O Programa Minas Patrimônio Vivo é um grande movimento do governo estadual voltado para a restauração e a conservação de bens tombados. A iniciativa também busca garantir a segurança de obras artísticas por meio da instalação de sistemas contra furtos e de prevenção e combate a incêndios. “Minas Gerais detém cerca de 60% do patrimônio histórico do Brasil. E é claro que esse patrimônio tem que ser mantido”, ressaltou Anastasia, na edição de 19 de setembro do programa Palavra do Governador.

“O Minas Patrimônio Vivo tem por objetivo exatamente restaurar prédios tombados pelo patrimônio histórico estadual. Ele já se iniciou há dois anos e tem previsão até o próximo ano de dezenas de edificações. O objetivo, portanto, é permitir especialmente que as nossas cidades do interior mantenham a sua identidade histórica e possam sempre festejar e promover a trajetória cultural do seu passado”, completou Anastasia.

Recentemente, o governador anunciou a destinação de mais de R$ 417 milhões para 64 intervenções no setor cultural. Estão previstas, entre outras ações, a construção de salas de concerto, arenas multiuso, reforma e restauração de museus, igrejas e esculturas religiosas. “Estamos realizando o maior investimento em cultura da história de Minas Gerais”, frisou Antonio Anastasia.

SEGOV - Secretaria de Estado de Governo de Minas Gerais

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